segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DSTs e o risco de homens homossexuais


O Ministério da Saúde divulgou recentemente a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos. Uma informação importante, não sei se tão surpreendente, foi a de que os homens brasileiros têm 31,2% mais riscos de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) do que as mulheres.
Segundo o estudo, manter relações sexuais com parceiros do mesmo sexo mais do que dobra a probabilidade. E se o indivíduo tiver mais de dez parceiros na vida tem 65% mais possibilidade de contrair alguma doença sexualmente transmissível.
Ou seja, o homossexual masculino com vida sexual ativa corre riscos consideráveis se não tomar os devidos cuidados. No mínimo uso de camisinha em todos os contatos (inclusive sexo oral) e, é de se avaliar com carinho, a redução do número de parceiros.
Outras constatações importantes na pesquisa: 18% dos homens não procuram tratamento ao apresentarem sintomas de DST . Entre as mulheres, 11,4% não procuram tratamento. Essas doenças aumentam em 18 vezes o risco de infecção pelo HIV, vírus causador da Aids.
Quando desconfiam que podem estar com alguma DST, 25% dos homens se automedicam. Entre as mulheres, esse número é de 1%. A prática é arriscada, já que pode mascarar a doença ou mesmo piorar o quadro.
O levantamento informa ainda que pacientes com indícios de DST “nem sempre recebem orientações adequadas”. Apenas 30% dos homens e 31,7% das mulheres que procuraram atendimento foram orientados a fazer o teste de HIV. A recomendação para o exame de sífilis foi ainda menor: 24,3% para eles e 22,5% para elas.
Entre homens e mulheres que recorreram aos consultórios, 40% não foram sequer informados sobre a necessidade do uso de preservativo e de comunicar a doença aos parceiros.
Para as pessoas que têm dificuldade de contar para o parceiro que estão infectadas, o Ministério da Saúde criou cartões virtuais, que fazem parte da campanha “Muito prazer, sexo sem DST”. O hotsite da campanha é www.aids.gov.br/muitoprazer, com informações gerais sobre prevenção e tratamento das DSTs. Vale conferir.

Lesbian chic, andróginos e a moda


Diversas campanhas publicitárias de moda têm explorado situações que remetem às lesbian chic e aos andróginos numa recorrência curiosa. No Brasil, as atrizes Juliana Paes e Cléo Pires, em alta por causa da novela “Caminho das Índias”, aparecem na campanha de verão 2010 da Arezzo. Vestidas de nadadoras, em clima insinuante dentro da piscina.
As marcas internacionais abusam do recurso, que nem é tão novo. A onda atual foi iniciada por Versace na campanha de inverno de 2008, com as modelos Isabeli Fontana e Natalia Vodianova. O uso de modelos em looks andróginos também tem sido bastante recorrente.
“Lesbian chic” é a expressão utilizada no meio gay para denominar as lésbicas “finas”, geralmente femininas, muitas vezes executivas e mais ligadas ao consumo em geral e de moda em particular. “Andróginos” são as pessoas que misturam características femininas e masculinas.
Desde a década de 30 que as mulheres usam alguma peça do guarda-roupa masculino. Já a homossexualidade feminina é explorada desde que inventaram as fotos. Este último tema é um verdadeiro fetiche do público masculino: duas belas mulheres em poses sensuais.
Os exemplos continuam. A campanha de inverno 2009 da Chanel sugere um clima entre as modelos Freja Beha Erichsen e Heidi Mount. A campanha do italiano Cesare Paciotti é mais explícita, com Constance Jablonski e Eniko Mihalik entrelaçando braços e pernas.
No campo da androginia, a modelo britânica Agyness Deyn foi fotografada para a campanha da Uniqlo ao lado do modelo Luke Worral. As roupas até são diferentes, mas a pose e os cabelos são indiferenciados.
A top brasileira Raquel Zimmermann aparece representando as linhas feminina e masculina da grife de Gaultier. Ela que já declarou gostar da mistura de elementos masculinos em seu visual. Gaultier, por sua vez, é conhecido por brincar com os gêneros feminino e masculino.
A tendência não parece estar perdendo força e promete continuar pelo menos mais uma estação. O fato parece positivo. Com isso, é possível que se ajude a quebrar padrões visuais (e comportamentais) rígidos que ainda persistem nas sociedades em geral. E fugir de “rótulos”, termo usado pela própria atriz Juliana Paes em entrevista sobre a campanha publicitária que protagoniza. Ela disse que não se prende a eles. Intrigante é que na sequência, ao ser questionada sobre uma possível experiência homossexual, saiu com: “sobre isso não vou falar”. Claro que se trata de algo pessoal, íntimo, mas... por que não falar já que não se prende a eles?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ex-gay existe?


A pergunta deve estar na mente de muita gente: ex-gay existe? E ela surgiu depois que a psicóloga carioca Rozângela Alves Justino apareceu defendendo a terapia para curar o “homossexualismo”. No último dia 31, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) decidiu, por unanimidade, aplicar uma censura pública contra a profissional. Rozângela já havia sido condenada à censura pública no Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro em 2007.
Acontece que resolução do CFP de 1999 proíbe os psicólogos de tratar a homossexualidade como doença, distúrbio ou perversão e de oferecer qualquer tipo de tratamento. A resolução segue normas da Organização Mundial de Saúde. Portanto, não havendo doença, não há o que curar.
Lideranças da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) defendem a cassação do registro de Rozângela, inclusive porque outros profissionais também estariam atuando da mesma forma, principalmente ligados a religiões.
Rozângela é evangélica e se diz perseguida pelo Conselho Federal de Psicologia, no que ela chama de "Ditadura Gay". Para a psicóloga, as pessoas não são homossexuais, mas "estão". Respeitando a motivação individual, o estado homossexual é passível de mudança. Para a militância, tal opinião contribui para o preconceito e a negação da homossexualidade tanto pela pessoa quanto pela família.
"Ex-gay" é o termo usado para indicar pessoas que alegam ter abandonado comportamentos homossexuais. É bastante discutível, pois a orientação sexual tem sido entendida como inata e fixa. Há quem defenda que ela é definida por questões genéticas. Deste modo, não pode ser modificada. Mas também há quem diga que a orientação sexual se desenvolve durante toda a vida.O fato é que a orientação sexual não-heterossexual foi removida da lista de doenças mentais nos EUA em 1973 e do CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) editado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 1993. Os transtornos de identidade de gênero, que englobam travestis e transexuais permanecem classificados na CID-10. Nestes casos, terapias hormonais e/ou cirurgia de sexo são, algumas vezes, indicadas pela medicina. E aí, ex gay existe?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Maria Purpurina


A televisão – mais especificamente a Rede Globo – tem colocado em cena a figura da chamada “Maria Purpurina”. A mulher que sente atração por gays.
O caso mais recente e notório é o da personagem Léa, vivida pela atriz Maria Zilda na novela “Caras & Bocas”. Ela é apaixonada pelo gay Cássio, vivido por Marco Pigossi.
No entanto, o caso não é único. Eu diria que tem crescido vertiginosamente. E assusta desconhecer os motivos e os efeitos dessa recorrência. Já em “A Favorita”, outra novela da Globo e em horário nobre, as personagens Céu (Deborah Secco) e Sharon (Giovanna Ewbank), uma das meninas da casa de Cilene (Elisângela), chegaram a brigar por Orlandinho (Iran Malfitano).
O que preocupa não são as tais Marias Purpurinas, mas os gays em dúvida de sua própria sexualidade. A série (outra vez Globo) “Som & Fúria” trouxe o ator Leonardo Miggiorin na pele de um gay que se encantou por uma mulher (Débora Falabella) e confundiu seus sentimentos.
Não que gays em dúvida de sua sexualidade não existam. É justamente isso o que a coerência defende: mostrar a diversidade de manifestações do sexo – em definições e graus. Deixar os rótulos de lado e olhar as pessoas em sua individualidade e subjetividade.
Só que parece cedo esse passo quando outros ainda não foram dados. Parece querer correr antes de aprender a andar. Na cabeça da maioria das pessoas, a homossexualidade ainda é uma condição confusa, que se mistura facilmente com a bissexualidade e a transexualidade. Mais que isso: ainda não temos uma resposta convincente (se é que ela um dia existirá) de como a orientação sexual se define.
Atualmente, quase todas as novelas têm um personagem homossexual. Uns assumidos, outros nem tanto. Sem falar em papéis secundários como o cabeleireiro da madame. Mas esses personagens quase nunca namoram outro homossexual. O tal “Beijo Gay” virou mito. Se não estamos preparados para assistir as manifestações homoafetivas, será que é interessante confundir nossa percepção com personagens que justamente vão em sentido contrário ao que a princípio desejam sexualmente, seja por um momento de incerteza ou característica pessoal? Me erra! Me deixa!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mães lésbicas


Maternidade e homossexualidade são duas práticas incompatíveis? Adriana e Munira tentam provar que não e lutam para ter este direito legalmente reconhecido em nossa sociedade. São duas paulistanas que deram luz a um casal de gêmeos este ano. Adriana recebeu os óvulos de Munira, que se submeteu a uma inseminação artificial.
Elas querem registrar os filhos em seus nomes. Um caso inédito no Brasil que foi parar no programa da Ana Maria Braga. No mundo todo, também é raridade.
Pesquisa apresentada ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp aponta que as mulheres que articulam a maternidade com a homossexualidade tornam-se socialmente vulneráveis, visto que a sociedade considera as duas práticas como incompatíveis. Não raro, elas enfrentam uma série de pressões e se vêem forçadas até mesmo a renunciar à sexualidade ou à profissão para poder exercer o direito de educar seus filhos.
O trabalho foi apresentado pela cientista social Érica Renata de Souza. De acordo com ela, os movimentos homossexuais têm demonstrado cada vez mais organização em todo o mundo. Entre as reivindicações mais frequentes aparecem questões relativas à família, ao casamento e à filiação. Dessa forma, novas práticas sociais surgem à medida que ocorre a associação entre a maternidade e a homossexualidade.
Foram identificados dois perfis de família no estudo. O primeiro – mais comum no Brasil – refere-se a mulheres com um passado heterossexual, mas que se envolveram em relações lésbicas e trouxeram seus filhos para essas relações. O segundo diz respeito àquelas que optaram pela maternidade por meio de tecnologias reprodutivas, como a inseminação artificial.
A pesquisa cita a experiência de uma mulher, Roberta, mãe de dois filhos, que acabara de sair de um casamento heterossexual conflituoso. O marido, usuário de drogas, era muito violento. Posteriormente, ela foi morar com uma mulher. O ex-marido de Roberta tentou obter a guarda das crianças. O juiz concedeu a guarda dos filhos para a mãe, mas condicionou a decisão à saída da sua companheira da casa.
Bastante conservadora, a postura deixa clara que – no entender do magistrado – para exercer o direito de conviver com os filhos, a mãe tinha de renunciar à sua sexualidade e à formação de uma família alternativa. Que meda!

O polêmico “Brüno”

O filme “Brüno”, que retrata um jornalista gay no mundo da moda, liderou a bilheteria dos cinemas norte-americanos no primeiro final de semana de exibição. As críticas e polêmicas em torno dele parecem aguçar a curiosidade do público.
A película arrecadou US$ 30,4 milhões (cerca de R$ 61,24 milhões). O segundo lugar em bilheteria da temporada ficou com “A Era do Gelo 3” ao arrecadar US$ 28,5 milhões (cerca de R$ 57,41 milhões).
O falso documentário satírico ganhou classificação máxima nos EUA. O personagem Brüno é vivido pelo comediante Sacha Baron Cohen e tem desagradado várias pessoas que supostamente aparecem no filme sem seus consentimentos. É aí que a polêmica começa.
O tal personagem homossexual percorre a paisagem norte-americana pegando pessoas que contracenam com ele de surpresa e constrangendo muita gente. Os grupos de defesa dos direitos dos gays se dividem em suas reações.
O filme explora sem piedade a homofobia que nasce do desconforto gerado por uma homossexualidade agressiva. A preocupação é que certos espectadores não percebam a piada e saiam dos cinemas com a ideia de que a homofobia é legítima.
No entanto, “Bruno” também é uma mensagem sobre o que é pertencer a uma minoria na América em 2009.
Centrando-se no personagem Brüno, não há qualquer ambiguidade: trata-se de um gay louco e afeminado. Nos materiais promocionais, surge vestido com cuecas sensuais, roupa íntima de leopardo ou nu montado num unicórnio. Numa cena, aparece num talk-show com uma criança no colo, vestida com uma T-shirt onde se lê "Gayby" (gay por perto). A sequência mostra um flashback com Brüno fazendo sexo numa jacuzzi e o bebê sentado ao lado. Em seguida, ele gaba-se de o bebê ser um ímã para atrair homens.
Em outra cena, determinado a tornar-se heterossexual, recorre a um instrutor de artes marciais para aprender a proteger-se dos homossexuais. O instrutor avisa que os homossexuais são traiçoeiros: “Alguns se vestem da mesma forma que eu ou você."
A Universal Pictures declara que “Bruno” utiliza a comédia provocadora para trazer à tona o absurdo de muitas formas de intolerância e ignorância, incluindo a homofobia. As situações extremas põem as pessoas frente a frente com seus estereótipos e preconceitos.
Defensores dos direitos dos homossexuais, no entanto, querem que Sacha Baron Cohen e a Universal Pictures recordem ao público que a intenção é expor a homofobia. Abafa o caso!

sábado, 18 de julho de 2009

As barbies e a fragilidade


Nos últimos dias muito se ouviu falar de “Neverland” por causa de Michael Jackson. A tal “Terra do Nunca”, promessa de juventude eterna, seduz nossa sociedade atual muito mais do que em qualquer outra época. Recusamo-nos a crescer e envelhecer.
Entre os gays, muitos são suscetíveis a esta cultura. Há uma busca incessante pelo belo. Uma turma bem definida neste aspecto é o das chamadas “barbies”, que levam o culto ao corpo ao extremo da perfeição. São os musculosos, sarados e bronzeados.
Mas – como sempre – tem muito mais coisa envolvida nisso. Os descamisados formam um grupo e fazer parte dele ou ser rejeitado e ficar de fora é a questão. É um mundo de grife e de festas.
O imaginário gay é povoado por homens fortes e másculos há muito tempo. Os meios de comunicação alimentam este ideal de beleza. Sentir-se desejado é bom para mulheres, homens e gays enquanto jovens, adultos ou idosos. O perigo é sacrificar-se por isso, algumas vezes arriscando a própria vida com excessos.
Por trás desta busca, são possíveis algumas leituras interessantes. Fazer parte do grupo é uma maneira de se inserir na sociedade. Adotar determinado modelo de corpo pode ser uma forma de mostrar para a sociedade o quanto se é bom e bonito, apesar de toda a perseguição e preconceito? Os músculos podem querer substituir uma magreza exposta na história recente marcada pelo estigma de que homossexualidade e Aids eram sinônimos. Masculinidade no lugar da fragilidade? Um cuidado próprio que quase dói. Como se tantos músculos pudessem proteger.
Não se iluda, todos nós estamos de certa forma cultuando o mesmo deus. Nossa sociedade adora a imagem. É o lugar do momento, a roupa da moda ... Todos queremos nos mostrar dignos de admiração. No fundo é como se estivéssemos dizendo: "Veja eu tenho um belo peitoral, um belo carro, ... você pode me amar, eu mereço!". O engodo é tornar o meio um fim em si mesmo, fazer de um traço de valor a coisa mais importante de nossas vidas. Cultivar o traço menos por prazer e mais por uma necessidade desesperada e inconsciente de ter que atingir a perfeição. Me erra! Me deixa!