A atual edição do BBB (Big Brother Brasil, Rede Globo) começou sendo chamada por alguns como o “BBB da diversidade”. Afinal, trouxe a novidade de incluir três homossexuais assumidos: dois masculinos e um feminino.
Sem dúvida, o fato contribui para tornar o tema homossexualidade mais próximo do público em geral e para desmistificar algumas coisas. Apesar das aparências, no entanto, muito ainda tem que mudar até que o preconceito seja realmente extirpado e a diversidade aceita.
Senão, vejamos. A casa incluiu uma drag queen (Dimmy Kieer) e um gay extremamente efeminado. No primeiro caso, ponto positivo para a oportunidade de mostrar que a drag queen não é nenhum ser de outro mundo, mas alguém que pode ganhar a simpatia de muita gente e concorrer com igualdade ao prêmio de R$ 1,5 milhão. Tem até um nome: Dicésar.
No caso do Serginho, o gay extremamente feminino, a coisa muda um pouco de figura. São no mínimo curiosas manifestações, de pessoas que se denominam heterossexuais, de que o rapaz merece levar uns tapas porque “pensa que é mulher”. É mais difícil aceitá-lo. Ele subverte a ordem. Sai de seu lugar de homem e exalta os trejeitos femininos. Muitas vezes, é mais delicado que as próprias mulheres.
O gay efeminado e a drag queen compõem o imaginário do público em geral do que é ser gay. Muita gente acha ainda que todo homossexual gosta de se vestir de mulher. Outras tantas relacionam a fragilidade à homossexualidade. Ambos são tratados como ridículo e levam ao escracho. Mesmo escracho do selinho dado entre Dicésar e Serginho. Volto a ressaltar a importância de expor estas nuances, mas parece que a sociedade está longe de realmente ver com naturalidade o amor entre dois homens e/ou duas mulheres. Algo fora do caricato. Os dois gays masculinos não vão protagonizar um beijo gay romântico, por exemplo. Nem entre eles, nem com qualquer outro brother. Ainda falta um gay fora do estereótipo. O ex-BBB Jean Wyllys era o gay intelectual e estava sozinho na casa. Cumpriu seu papel sendo o primeiro homossexual a se assumir em rede nacional. O médico Marcelo se autodenominava bissexual e preferiu ficar no lado cômodo e aceito de sua sexualidade, dizendo-se interessado por uma sister.
Recaiam sobre a lésbica Angélica as chances de protagonizar uma mudança mais profunda. No entanto, ela acabou sendo eliminada. Morango foge do estereótipo de “sapatão” e isso foi muito bom para mostrar que existem outras cores entre os coloridos. O ideal mesmo é que não houvesse divisão em tribos. Quem sabe numa próxima edição...
A proposta do blog é ser fonte de informação e discussão de temas da comunidade gay. A ideia não é ficar falando apenas para o público gay, mas colocar todo mundo para pensar junto. Afinal, somos G, L, B, T, S e tantos mais. O próprio nome do blog quer provocar um estranhamento: a sigla que se refere à comunidade gay cada hora aparece agregando um novo rótulo. Pra quê?
quarta-feira, 3 de março de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Assumindo antes dos 15
A Secretaria de Estado da Saúde divulgou pesquisa realizada em São Paulo durante a última Parada LGBT apontando que um em cada três gays assume sua sexualidade diferente da hetero antes dos 15 anos de idade.
A pesquisa ouviu 211 pessoas que participaram do evento. Do total, 31,3% disseram ter assumido entre 10 e 14 anos. A maioria assume entre 15 e 19 anos: 62,8%; apenas 5,9% após os 20 anos.
Os gays têm mais facilidade de falar sobre sua sexualidade para a mãe do que para o pai. Dos entrevistados, 71,1% tinham assumido para a mãe.
O estudo também investigou comportamentos de risco e hábitos de prevenção a doenças. Entre as pessoas do sexo masculino, 42% responderam que haviam se relacionado sexualmente com mais de 10 parceiros, e 19,4%, com cinco a nove parceiros. Já entre as mulheres, 35% informaram terem tido relacionamento com mais de 10 parceiros e 30%, com cinco a nove parceiros. Elas vão mais preventivamente ao médico: 61,6%, contra 52,2% deles.
Metade das pessoas ouvidas relatou ser vítima de preconceito, discriminação ou falta de respeito nos serviços de saúde, e 9,95% alegaram falta de atenção, descaso ou desinteresse no atendimento.
A pesquisa confirma tendência na sociedade atual do despertar das pessoas para a sexualidade em idade cada vez mais jovem. Também sugere fragilidade no preparo de profissionais da saúde no atendimento dessas pessoas. Mudanças urgentes são necessárias para evitar problemas de saúde.
A própria secretaria que divulgou o estudo afirma estar desenvolvendo programa específico para atendimento de adolescentes LGBT em todo o estado. Em novembro realizou a capacitação de 800 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, psicólogos e dentistas dos serviços de saúde voltados a jovens.
O objetivo é preparar a rede para abordar o adolescente de forma que ele não se sinta discriminado, para que fique à vontade para falar sobre sua conduta sexual ou afetiva, deixando de lado medos e vulnerabilidades que possam levá-lo a comportamentos de riscos à saúde, como o sexo sem preservativo ou abuso de drogas e álcool, por exemplo.
Por causa desse programa, a Opas (Organização Panamericana de Saúde) convidou a secretaria para colaborar na elaboração de diretrizes que irão nortear o atendimento em saúde de adolescentes e jovens em toda a América Latina. Abalou!
A pesquisa ouviu 211 pessoas que participaram do evento. Do total, 31,3% disseram ter assumido entre 10 e 14 anos. A maioria assume entre 15 e 19 anos: 62,8%; apenas 5,9% após os 20 anos.
Os gays têm mais facilidade de falar sobre sua sexualidade para a mãe do que para o pai. Dos entrevistados, 71,1% tinham assumido para a mãe.
O estudo também investigou comportamentos de risco e hábitos de prevenção a doenças. Entre as pessoas do sexo masculino, 42% responderam que haviam se relacionado sexualmente com mais de 10 parceiros, e 19,4%, com cinco a nove parceiros. Já entre as mulheres, 35% informaram terem tido relacionamento com mais de 10 parceiros e 30%, com cinco a nove parceiros. Elas vão mais preventivamente ao médico: 61,6%, contra 52,2% deles.
Metade das pessoas ouvidas relatou ser vítima de preconceito, discriminação ou falta de respeito nos serviços de saúde, e 9,95% alegaram falta de atenção, descaso ou desinteresse no atendimento.
A pesquisa confirma tendência na sociedade atual do despertar das pessoas para a sexualidade em idade cada vez mais jovem. Também sugere fragilidade no preparo de profissionais da saúde no atendimento dessas pessoas. Mudanças urgentes são necessárias para evitar problemas de saúde.
A própria secretaria que divulgou o estudo afirma estar desenvolvendo programa específico para atendimento de adolescentes LGBT em todo o estado. Em novembro realizou a capacitação de 800 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, psicólogos e dentistas dos serviços de saúde voltados a jovens.
O objetivo é preparar a rede para abordar o adolescente de forma que ele não se sinta discriminado, para que fique à vontade para falar sobre sua conduta sexual ou afetiva, deixando de lado medos e vulnerabilidades que possam levá-lo a comportamentos de riscos à saúde, como o sexo sem preservativo ou abuso de drogas e álcool, por exemplo.
Por causa desse programa, a Opas (Organização Panamericana de Saúde) convidou a secretaria para colaborar na elaboração de diretrizes que irão nortear o atendimento em saúde de adolescentes e jovens em toda a América Latina. Abalou!
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
‘Prefiro filho ladrão a gay’

Com certeza você já deve ter ouvido a frase: "Prefiro ter filho ladrão a ter filho gay". Recebi um e-mail com um texto que começava com esta frase e falava um pouco da origem dela.
Trabalho de pesquisa publicado pela PUC Minas mostra que o pensamento é mais antigo do que parece. Segundo a pesquisadora Érika Pretes, vem do Brasil Colônia, quando havia o crime de sodomia. Na época, enquanto o ladrão respondia sozinho por seu crime, os familiares do sodomita também eram punidos e perdiam todos os seus pertences.
O estudo “História da Criminalização da Homossexualidade no Brasil: da Sodomia ao Homossexualismo” mostra a participação de instituições como o Estado e a Igreja na criação e perpetuação de discursos e práticas homofóbicas.
A relação sexual entre pessoas do mesmo sexo inicialmente era tida como pecado-delito. Quando a homossexualidade deixou de ser crime, houve apenas a substituição de uma forma de preconceito por outra e o preconceito em forma de lei passou a vir sob forma de falsa análise médico-científica.
Segundo a pesquisa, a partir de então as relações foram encaradas como um desvio biológico da sexualidade humana. A ciência buscou se distanciar da imagem criminalizada e pecadora produzindo denominações, daí surge o termo homossexualismo. A mudança foi falsamente progressista, não mudando em nada o preconceito. Os homossexuais continuaram sendo discriminados e passaram a ser tratados à força.
O estudo rendeu uma bolsa CNPQ para a pesquisadora Érika Pretes desenvolver nova pesquisa, desta vez sobre a criminalização da homofobia, atualmente em análise no Senado.
Por falar no PLC 122, a enquete sobre o tema promovida no site da Casa foi encerrada com resultado apertado, mas desfavorável à comunidade LGBT. A resposta contrária à aprovação do projeto venceu com 51,54% contra 48,46%. Foram contabilizadas mais de 400 mil participações.
Trabalho de pesquisa publicado pela PUC Minas mostra que o pensamento é mais antigo do que parece. Segundo a pesquisadora Érika Pretes, vem do Brasil Colônia, quando havia o crime de sodomia. Na época, enquanto o ladrão respondia sozinho por seu crime, os familiares do sodomita também eram punidos e perdiam todos os seus pertences.
O estudo “História da Criminalização da Homossexualidade no Brasil: da Sodomia ao Homossexualismo” mostra a participação de instituições como o Estado e a Igreja na criação e perpetuação de discursos e práticas homofóbicas.
A relação sexual entre pessoas do mesmo sexo inicialmente era tida como pecado-delito. Quando a homossexualidade deixou de ser crime, houve apenas a substituição de uma forma de preconceito por outra e o preconceito em forma de lei passou a vir sob forma de falsa análise médico-científica.
Segundo a pesquisa, a partir de então as relações foram encaradas como um desvio biológico da sexualidade humana. A ciência buscou se distanciar da imagem criminalizada e pecadora produzindo denominações, daí surge o termo homossexualismo. A mudança foi falsamente progressista, não mudando em nada o preconceito. Os homossexuais continuaram sendo discriminados e passaram a ser tratados à força.
O estudo rendeu uma bolsa CNPQ para a pesquisadora Érika Pretes desenvolver nova pesquisa, desta vez sobre a criminalização da homofobia, atualmente em análise no Senado.
Por falar no PLC 122, a enquete sobre o tema promovida no site da Casa foi encerrada com resultado apertado, mas desfavorável à comunidade LGBT. A resposta contrária à aprovação do projeto venceu com 51,54% contra 48,46%. Foram contabilizadas mais de 400 mil participações.
sábado, 5 de dezembro de 2009
O exemplo argentino

Os argentinos parecem estar um passo à frente na batalha contra o preconceito. Recentemente, uma transexual foi escolhida “Mulher do Ano”. Isso mesmo. Entre 12 concorrentes, a transexual Marcela Romero ficou com o título. Foi escolhida entre mulheres selecionadas por sua luta contra pobreza e em defesa do meio ambiente, entre outras causas.
Em agosto, Marcela obteve documento de identidade com nome feminino depois de dez anos de luta judicial para que sua mudança de sexo fosse reconhecida. A nomeação como “Mulher do Ano”veio da Câmara dos Deputados, mais precisamente da Comissão da Família e da Mulher.
Nem por isso os obstáculos desapareceram. No momento da entrega do título, enquanto alguns aplaudiam, outros presentes se retiravam do local.
E na última semana, o anunciado primeiro casamento civil de homossexuais na América Latina, que aconteceria na terça-feira em Buenos Aires, sofreu um revés. A juíza Marta Gómez Alsina decretou uma medida cautelar até que se decida sobre a ação apresentada contra a decisão de outra magistrada, que julgou "inconstitucionais" dois artigos do Código Civil estabelecendo que para o matrimônio "é necessário o consentimento de duas pessoas de sexos distintos". Alsina garantiu que sua decisão não constitui discriminação e destacou que a lei argentina já confere às pessoas do mesmo sexo a opção de celebrar a união civil.
A juíza Gabriela Seijas tinha autorizado, há aproximadamente duas semanas, o registro civil do casamento de Alejandro Freyre, de 39 anos, com José María Di Bello, 41, em uma decisão inédita na Argentina e na América Latina.
Em Buenos Aires vigora desde 2003 a união civil entre homossexuais, que permite aos cônjuges o acesso aos direitos sociais, como pensão, mas restringe alguns procedimentos, como a adoção.
Um projeto de lei para o casamento gay é debatido na Câmara dos Deputados, mas – como no Brasil – empaca na falta de acordo entre os principais blocos.
Em agosto, Marcela obteve documento de identidade com nome feminino depois de dez anos de luta judicial para que sua mudança de sexo fosse reconhecida. A nomeação como “Mulher do Ano”veio da Câmara dos Deputados, mais precisamente da Comissão da Família e da Mulher.
Nem por isso os obstáculos desapareceram. No momento da entrega do título, enquanto alguns aplaudiam, outros presentes se retiravam do local.
E na última semana, o anunciado primeiro casamento civil de homossexuais na América Latina, que aconteceria na terça-feira em Buenos Aires, sofreu um revés. A juíza Marta Gómez Alsina decretou uma medida cautelar até que se decida sobre a ação apresentada contra a decisão de outra magistrada, que julgou "inconstitucionais" dois artigos do Código Civil estabelecendo que para o matrimônio "é necessário o consentimento de duas pessoas de sexos distintos". Alsina garantiu que sua decisão não constitui discriminação e destacou que a lei argentina já confere às pessoas do mesmo sexo a opção de celebrar a união civil.
A juíza Gabriela Seijas tinha autorizado, há aproximadamente duas semanas, o registro civil do casamento de Alejandro Freyre, de 39 anos, com José María Di Bello, 41, em uma decisão inédita na Argentina e na América Latina.
Em Buenos Aires vigora desde 2003 a união civil entre homossexuais, que permite aos cônjuges o acesso aos direitos sociais, como pensão, mas restringe alguns procedimentos, como a adoção.
Um projeto de lei para o casamento gay é debatido na Câmara dos Deputados, mas – como no Brasil – empaca na falta de acordo entre os principais blocos.
Lésbicas e as doenças sexuais

As mulheres que se relacionam com mulheres também correm risco de contrair doenças sexuais. O fato parece óbvio, mas talvez pela visão que se tem de maior e menor risco baseada em sexo penetrativo ou não, fica a imagem de que elas estão “seguras”.
No entanto, é preciso ressaltar que o contágio se dá pelo contato de fluidos, como as secreções vaginal/anal e sangue, com as mucosas bocal, vaginal e anal, que quase sempre apresentam fissuras. O ato sexual, quando praticado sem proteção, facilita a entrada de vírus no organismo humano.
Recomenda-se para sexo seguro entre mulheres, por exemplo, o uso de luvas de látex para penetração (dedo/vagina) e barreiras também de látex (feitas a partir de camisinhas) para sexo oral.
E a saúde sexual das lésbicas não se resume às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). A maior parte delas não tem filhos e não amamentaram. Esse fator vem sendo apontado como de risco para o câncer de mama. Por isso, a necessidade de se incentivar neste grupo a prática do auto-exame mensal para detecção de nódulos.
Os exames de pacientes lésbicas precisam ser completos, incluindo exame de Papanicolau, de toque, além das visitas ginecológicas periódicas. Essas recomendações muitas vezes não são seguidas por parte dos profissionais da área ou das próprias pacientes, em razão de estereótipos arraigados em nossa sociedade.
É preciso transcender os rótulos para trabalhar com as mulheres em toda a sua diversidade. Deixar de lado a ideia de que as lésbicas não são mulheres de verdade.
A livre orientação sexual faz parte dos direitos de todas as mulheres. É preciso lutar pelo fim das restrições à sexualidade.
Grupos e ativistas lésbicas têm se mobilizado de diferentes formas para garantir visibilidade. Seja em eventos nacionais ou internacionais, em debates e na mídia. Isso tem sido bastante positivo. A estratégia, somada a outras, é considerada de extrema importância para informar, refletir e aprofundar questões relacionadas à melhoria da condição de vida das lésbicas.
No entanto, é preciso ressaltar que o contágio se dá pelo contato de fluidos, como as secreções vaginal/anal e sangue, com as mucosas bocal, vaginal e anal, que quase sempre apresentam fissuras. O ato sexual, quando praticado sem proteção, facilita a entrada de vírus no organismo humano.
Recomenda-se para sexo seguro entre mulheres, por exemplo, o uso de luvas de látex para penetração (dedo/vagina) e barreiras também de látex (feitas a partir de camisinhas) para sexo oral.
E a saúde sexual das lésbicas não se resume às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). A maior parte delas não tem filhos e não amamentaram. Esse fator vem sendo apontado como de risco para o câncer de mama. Por isso, a necessidade de se incentivar neste grupo a prática do auto-exame mensal para detecção de nódulos.
Os exames de pacientes lésbicas precisam ser completos, incluindo exame de Papanicolau, de toque, além das visitas ginecológicas periódicas. Essas recomendações muitas vezes não são seguidas por parte dos profissionais da área ou das próprias pacientes, em razão de estereótipos arraigados em nossa sociedade.
É preciso transcender os rótulos para trabalhar com as mulheres em toda a sua diversidade. Deixar de lado a ideia de que as lésbicas não são mulheres de verdade.
A livre orientação sexual faz parte dos direitos de todas as mulheres. É preciso lutar pelo fim das restrições à sexualidade.
Grupos e ativistas lésbicas têm se mobilizado de diferentes formas para garantir visibilidade. Seja em eventos nacionais ou internacionais, em debates e na mídia. Isso tem sido bastante positivo. A estratégia, somada a outras, é considerada de extrema importância para informar, refletir e aprofundar questões relacionadas à melhoria da condição de vida das lésbicas.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Mundos gay e hétero se aproximam
Aos poucos torna-se difícil dizer quem é gay, bissexual ou hétero. Ponto para a diversidade. Na medida em que o preconceito perde um pouco sua força, a tolerância ganha espaço. E a aceitação e o respeito têm vindo pelo comportamento.
Há quem comente na comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) que a “cena gay” vem sendo invadida cada vez mais pelos héteros. São homens e mulheres interessados em boa música e gente animada. Ao mesmo tempo, muitos gays e lésbicas preferem as baladas héteros para se divertir. Isso parece ser bastante positivo, pois aproxima as pessoas no que elas têm de igual, mas respeitando suas diferenças. E melhor: pode estar apontando para o fim dos guetos.
A cultura em geral também sinaliza isso, apesar de um interesse econômico poder estar escondido por trás de aparentes iniciativas positivas. De qualquer forma, comemoremos o que há de bom.
Tem crescido o número de personagens homossexuais retratados pela TV norte-americana. Segundo pesquisas da Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação (Glaad), 18 personagens LGBT serão retratados em 2010 nos canais abertos dos Estados Unidos. O número representa 3% do total, comparados com 2,6% do último ano.
O fato promissor nem é o aumento na quantidade de personagens gays na TV, mas a oportunidade de divulgar histórias diversas que consigam retratar a realidade dos homossexuais. Só assim a aceitação e o respeito irão aumentar. Através do conhecimento.
O rapper Kanye West afirmou recentemente que, no âmbito da Moda, a palavra “gay” deverá ser usada no futuro como sinônimo de “ter estilo”. Segundo ele, crianças dirão “Cara, essas calças são gay”, como um elogio. Mas West mesmo também disse que a maneira com uma pessoa se veste não tem a ver com a orientação sexual dela. "Há muitos gays que não se vestem nem um pouco bem e eu me visto melhor que muitos deles", ressaltou. Acusações de que o rapper mira os gays para vender mais CDs a parte, o legal é confirmar que – por um interesse ou por outro – os “mundos” se aproximam. E acredito que isso só trás benefícios para todas as diversas partes e suas diferenças.
Há quem comente na comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) que a “cena gay” vem sendo invadida cada vez mais pelos héteros. São homens e mulheres interessados em boa música e gente animada. Ao mesmo tempo, muitos gays e lésbicas preferem as baladas héteros para se divertir. Isso parece ser bastante positivo, pois aproxima as pessoas no que elas têm de igual, mas respeitando suas diferenças. E melhor: pode estar apontando para o fim dos guetos.
A cultura em geral também sinaliza isso, apesar de um interesse econômico poder estar escondido por trás de aparentes iniciativas positivas. De qualquer forma, comemoremos o que há de bom.
Tem crescido o número de personagens homossexuais retratados pela TV norte-americana. Segundo pesquisas da Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação (Glaad), 18 personagens LGBT serão retratados em 2010 nos canais abertos dos Estados Unidos. O número representa 3% do total, comparados com 2,6% do último ano.
O fato promissor nem é o aumento na quantidade de personagens gays na TV, mas a oportunidade de divulgar histórias diversas que consigam retratar a realidade dos homossexuais. Só assim a aceitação e o respeito irão aumentar. Através do conhecimento.
O rapper Kanye West afirmou recentemente que, no âmbito da Moda, a palavra “gay” deverá ser usada no futuro como sinônimo de “ter estilo”. Segundo ele, crianças dirão “Cara, essas calças são gay”, como um elogio. Mas West mesmo também disse que a maneira com uma pessoa se veste não tem a ver com a orientação sexual dela. "Há muitos gays que não se vestem nem um pouco bem e eu me visto melhor que muitos deles", ressaltou. Acusações de que o rapper mira os gays para vender mais CDs a parte, o legal é confirmar que – por um interesse ou por outro – os “mundos” se aproximam. E acredito que isso só trás benefícios para todas as diversas partes e suas diferenças.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Teoria Queer
Você já ouviu falar em Teoria Queer? A denominação surgiu quando a feminista Teresa de Laurentis participou de uma conferência em 1990 na Universidade da Califórnia teorizando sobre as sexualidades gays e lésbicas.
Fortemente influenciada pela obra de Michel Foucault, problematiza a noção de gênero e nem sempre tem sido bem aceita dentro e fora da comunidade gay, pois coloca em xeque conceitos como os de "identidade" e "sexo". Incomoda por desconstruir qualquer definição – de homem, de mulher, de hétero, de gay, de bissexual, de trans...
Por que "queer"? Esta palavra, de origem inglesa, significa, literalmente, "estranho" ou "incomum". Foi usada como gíria em meados do século XX para referir-se aos homossexuais, sobretudo os masculinos. Há quem defenda que houve uma sobreposição das palavras "queer" com "queen" (rainha), o que designaria um homossexual afeminado que seria, simultaneamente, rainha e estranho.
É assumida por uma vertente dos movimentos homossexuais para caracterizar oposição e contestação. Para estes, significa colocar-se contra a normalização. Seu alvo mais imediato é a heteronormatividade, no entanto, também não escapa a estabilidade proposta pela política de identidade do movimento homossexual dominante. Refere-se à diferença que não quer ser assimilada ou tolerada.
A Teoria Queer pensa a sexualidade como uma construção histórica. A orientação sexual e a identidade de gênero não estão previstas na genética e nem podem ser consideradas como condição compartilhada por todos. Existe uma sexualidade para cada sujeito, ainda que seja possível encontrar pessoas com gostos e inclinações semelhantes. É essa semelhança que permite, por exemplo, agrupar os gays em "afeminados", "barbies", "ursos", "versáteis" etc. Porém, não se pode confundir a semelhança com a essência. São convenções sociais compartilhadas por determinados grupos, passíveis, portanto, de mudanças.
A proposta é abolir as dualidades do tipo macho/fêmea e masculino/feminino. Seu caráter transgressor afirma um novo tempo, no qual é preciso pensar outras formas de nomear sem classificar. Não é apenas assumir que as posições de gênero e sexuais se multiplicaram, mas admitir que as fronteiras vêm sendo constantemente atravessadas, quando não é exatamente na fronteira que alguns sujeitos vivem – e sem que haja uma patologia.
Fortemente influenciada pela obra de Michel Foucault, problematiza a noção de gênero e nem sempre tem sido bem aceita dentro e fora da comunidade gay, pois coloca em xeque conceitos como os de "identidade" e "sexo". Incomoda por desconstruir qualquer definição – de homem, de mulher, de hétero, de gay, de bissexual, de trans...
Por que "queer"? Esta palavra, de origem inglesa, significa, literalmente, "estranho" ou "incomum". Foi usada como gíria em meados do século XX para referir-se aos homossexuais, sobretudo os masculinos. Há quem defenda que houve uma sobreposição das palavras "queer" com "queen" (rainha), o que designaria um homossexual afeminado que seria, simultaneamente, rainha e estranho.
É assumida por uma vertente dos movimentos homossexuais para caracterizar oposição e contestação. Para estes, significa colocar-se contra a normalização. Seu alvo mais imediato é a heteronormatividade, no entanto, também não escapa a estabilidade proposta pela política de identidade do movimento homossexual dominante. Refere-se à diferença que não quer ser assimilada ou tolerada.
A Teoria Queer pensa a sexualidade como uma construção histórica. A orientação sexual e a identidade de gênero não estão previstas na genética e nem podem ser consideradas como condição compartilhada por todos. Existe uma sexualidade para cada sujeito, ainda que seja possível encontrar pessoas com gostos e inclinações semelhantes. É essa semelhança que permite, por exemplo, agrupar os gays em "afeminados", "barbies", "ursos", "versáteis" etc. Porém, não se pode confundir a semelhança com a essência. São convenções sociais compartilhadas por determinados grupos, passíveis, portanto, de mudanças.
A proposta é abolir as dualidades do tipo macho/fêmea e masculino/feminino. Seu caráter transgressor afirma um novo tempo, no qual é preciso pensar outras formas de nomear sem classificar. Não é apenas assumir que as posições de gênero e sexuais se multiplicaram, mas admitir que as fronteiras vêm sendo constantemente atravessadas, quando não é exatamente na fronteira que alguns sujeitos vivem – e sem que haja uma patologia.
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