domingo, 18 de setembro de 2011

O exemplo de Bauru


Com o tema “A Educação é a Solução: todos contra o Bullying”, Bauru realizou no final do mês passado sua 4ª Semana da Diversidade. O município desponta como exemplo de organização e dá corpo ao evento, agregando várias atividades à sua Parada Gay, que reuniu 45 mil pessoas este ano.

Reflexão e conscientização celebraram o respeito às diferenças. Primeiro, pessoas, empresas e instituições de Bauru foram homenageadas com o troféu “Eu faço a diferença” por se destacaram no último ano no combate ao preconceito, à discriminação e à desigualdade.

Teve a exposição fotográfica “Voz Travestida”. Ocorreram a posse do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade (Cads) e um debate abordando o assédio moral que envolveu os professores das redes de ensino público municipal e estadual e agentes sociais da rede de assistência social. Também aconteceu a 1ª Conferência Municipal do Cads. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) promoveu o Seminário da Diversidade enquanto o Sesc SP em Bauru promoveu um ciclo de filmes. Sindicatos, empresas e outras instituições foram estimulados a atuarem junto aos seus colaboradores e associados com a temática da Semana.

As atividades tiveram ainda caráter de promoção da solidariedade, com a organização solicitando aos participantes a doação de uma lata de leite em pó, com arrecadação destinada a instituições da cidade. No dia da Parada foi instalada uma minipraça de alimentação com renda destinada a outra instituição. O evento terminou com show de Preta Gil no Parque Vitória Régia.

Gays, heteros e simpatizantes, além de inúmeras famílias pediram pelo fim do preconceito tomando a Avenida Nações Unidas na Parada de Bauru, organizada pela Associação Bauru pela Diversidade (ABD).

Segundo pesquisa realizada pelo Departamento Municipal de Turismo, o evento reuniu participantes de outras 42 cidades, distantes até 500 quilômetros. O gasto médio estimado por pessoa foi de R$ 160,00.

Em Rio Preto, não há notícias da Parada Gay que vinha acontecendo no mês de setembro. Recentemente, liderança LGBT afirmava que o evento não seria realizado este ano. Tá meu bem?!

sábado, 27 de agosto de 2011

Sensata posição


O primeiro beijo hetero da TV brasileira em 1951 foi considerado escandaloso. A novela “Insensato Coração”, da Rede Globo, não emplacou o tão polêmico beijo gay. O mérito ficou para “Amor e Revolução”, do SBT, apesar de se tratar de um beijo entre mulheres, o que para muitos parece menos agressivo.

Nem por isso a novela deixou de ter seu mérito. Interessante que há pouco tempo apontávamos como conquista a presença de um ou dois personagens gays na televisão tratados com seriedade. Em “Insensato Coração”, criou-se um verdadeiro núcleo, com seis personagens espalhados pela trama. Entendo que isso demonstra a naturalidade com que a homossexualidade passa a ser encarada. Com todas as suas idiossincrasias.

Idioquê? Sim, as características comportamentais próprias de um indivíduo ou grupo. A maneira peculiar de ser, sentir e reagir. A novela conseguiu mostrar muito do universo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), com suas alegrias e tristezas.

A diversidade deste universo foi representada por Rony Fragonard (Leonardo Miggiorin), Eduardo Aboim (Rodrigo Andrade), Hugo Abrantes (Marcos Damigo), Xicão Madureira (Wendell Bandelack), Araci (Cristiana Oliveira) e Gilvan (Miguel Roncato).

Foram mostrados alguns comportamentos e gírias específicos, o cotidiano do gay assumido, a saída do armário, a reação dos pais diante da realidade de seus filhos LGBTs (progressistas ou preconceituosos) , o gay afeminado e o não-afeminado, o pink money, a marginalidade, o preconceito, os ataques homofóbicos e a união homoafetiva.

O maior mérito foi colocar os personagens gays no centro do enredo e não deixá-los à margem em histórias secundárias. Conseguiu criar algo mais próximo da realidade.

Mesmo sob acusações de censura ao esfriar e cortar cenas do casal Hugo e Edu, “Insensato Coração” teve a sensata posição da naturalidade. Foi bafo, bee!

Legenda: Casal Hugo e Eduardo da novela "Insensato Coração"

No próxima quarta-feira, dia 31 de agosto, a “Coluna G, L e o quê?!” completa três anos. Neste período, muitas coisas mudaram. O mundo se transforma vertiginosamente. Percebo que a visibilidade conquistada pouco a pouco pelos LGBTs possibilita o entendimento e a tolerância de muitos, mas provoca a agressividade e a incompreensão de alguns outros. Que a convivência realmente passe a ser valorizada...




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Retrocesso em Rio Preto


São José do Rio Preto-SP está entre as poucas cidades no país com lei municipal que combate a homofobia. Em âmbito nacional, há leis estaduais em São Paulo e Rio de Janeiro. Outros municípios, alguns poucos como Juiz de Fora e Cataguases (ambas em MG) e Londrina (Paraná).

No entanto, esta lei que existe desde 2002 está sob ameaça. O presidente da Câmara de Rio Preto, Oscarzinho Pimentel (PPS), apresentou projeto para revogá-la que deve ser votado este mês. A lei municipal, de número 8.642 e autoria do ex-vereador Márcio Ladeia (PT), pune “toda e qualquer forma de discriminação por orientação sexual”.

Ela considera discriminação qualquer ação ou omissão que, motivada pela orientação sexual do indivíduo, lhe cause constrangimento, exposição a situação vexatória, tratamento diferenciado, cobrança de valores adicionais ou preterição no atendimento, bem como impedir ou dificultar acesso de homossexuais e estabelecimentos ou locais de circulação pública. Prevê ainda multa entre R$ 1 mil e R$ 3 mil para os infratores, além de cassação de alvará de funcionamento quando a discriminação ocorrer em local público.

Na justificativa de sua proposta, Oscarzinho diz que a lei é inconstitucional por vício de iniciativa e fere o artigo 5º da Constituição Federal, que prevê igualdade entre todos os brasileiros.

Lideranças da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) em Rio Preto acreditam que a iniciativa de Oscarzinho tem fundo religioso. Evangélico, o presidente da Câmara participou de caravana evangélica a Brasília para protesto contra o projeto de lei 122. Assim como a lei municipal, tal projeto prevê punição para atos de discriminação sexual. Além da proposta de revogar a lei municipal, segundo o jornal Diário da Região, de Rio Preto, Oscarzinho apresentou requerimento ao Senado pedindo arquivamento do PL 122. De Rio Preto, também participaram do protesto na capital federal os outros vereadores evangélicos Carlão dos Santos (PTB) e Tadeu de Lima (PSDB).

sexta-feira, 22 de julho de 2011


Publicado ontem (21.07.11)no jornal Folha da Região em "Edital de Proclamas" o que deve ser a primeira união homoafetiva (ou casamento gay) da região de Araçatuba-SP. Abafa!!!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ousadia de menos


Manchete do jornal Folha da Região (Araçatuba/SP) no dia 26 de junho (“Lazer gay injeta R$ 780 mil por ano na economia de Araçatuba e Birigui”) trouxe alguns números para enriquecer a discussão sobre o poder do chamado “Pink Money” (Dinheiro Cor de Rosa) na região.

Claro que os R$ 780 mil injetados por ano em duas casas noturnas é uma amostra do poder econômico de nossa comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), que gasta com tantas outras coisas além de lazer.

Vale ressaltar que as empresas despertam muito lentamente ainda para agradar a este público com pouca ousadia e muitas falhas de comunicação. No entanto, esta não é uma dificuldade só dos empresários regionais.

Matéria do Meio & Mensagem do dia 22 de junho (“O Pink Money vale menos que o Real?”) afirmou que o preconceito custa a recuar entre o empresariado brasileiro. E apontou a estimativa de que os LGBT têm renda anual de R$ 150 bilhões — 7,1% do PIB, indicador econômico que representa o conjunto de bens e serviços produzidos pela economia brasileira em 2010.

Para ilustrar a representatividade da comunidade, é importante também citar que a última edição da Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, no dia 26 de junho, reuniu cerca de 4 milhões de pessoas, segundo estimativas da organização.

Moralismo e questões religiosas têm sido apontados como motivo de as empresas brasileiras não valorizarem este público. Nações mais industrializadas tratam a questão com maior normalidade.

O jornalista André Fischer, diretor do Grupo Mix Brasil, que reúne site, revista, rádio e TV paga voltados para o público LGBT, acusa o mercado publicitário de careta e afirma que cabe às agências fazer o meio de campo com o anunciante.

As marcas que “saírem do armário” antes vão se dar bem. Surgem iniciativas para auxiliar o mercado. No próximo dia 23 de julho acontece em São Paulo o Expo Business LGBT Mercosul, que pretende esclarecer o que é ser uma empresa “gay-friendly”.

Em abril de 2012, a Associação Internacional de Turismo para Gays e Lésbicas (IGLTA) realizará sua convenção anual em Florianópolis, com palestrantes do mundo todo, inclusive do Brasil, falando sobre dados de mercado e táticas de comunicação.
Oportunidades não faltam, sejam lá ou aqui. Os empresários precisam acordar para isso, preparar-se muito e ousar mais ainda. Fica a dica.

Legenda: Versão Drag Queen de campanha de veículo realizada na Espanha
Crédito: Divulgação

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Há do que se orgulhar?


A Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Trânsgêneros) de São Paulo chegou à sua 15ª edição. Muitos relacionam sua realização às conquistas de espaço da comunidade gay na atual sociedade brasileira. De fato, a visibilidade tem ajudado a colocar temas relacionados em discussão.

Na semana que precedeu ao evento, no entanto, um fato apontou o quanto ainda são frágeis as conquistas dos GLBTs. Um juiz de Goiânia decidiu anular a união civil de um casal gay, um direito assegurado no mês passado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Atitude homofóbica? Retrocesso moralista? O juiz Jeronymo Pedro Villas Boas, da 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal, não só determinou o cancelamento da “Escritura Pública de Declaração de União Estável” do casal Léo Mendes e Odílio Torres como recomendou que “todos os cartórios de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Goiânia e do Registro Civil abstenham-se de proceder a qualquer escrituração de declaração de união estável entre pessoas do mesmo sexo”. Ninguém propôs a ação. Foi iniciativa do próprio juiz. Ele alega que a Constituição Federal só reconhece como família a união entre homem e mulher.

Léo Mendes é presidente da Articulação Brasileira de Gays e iria recorrer. A OAB Ordem dos Advogados do Brasil) em Goiânia também entraria com representação para derrubar a medida pois o juiz não pode interferir em decisão de instância superior.

Acontece que o reconhecimento da união estável para casais de mesmo sexo pelo STF pode ser derrubado pelo Congresso Nacional. É o que pede, por exemplo, o Projeto de Decreto Legislativo 224/11 de autoria do deputado federal João Campos (PSDB-GO), apresentado pela Frente Parlamentar Evangélica.

O tema da 15ª Parada do Orgulho GLBT foi “Amai-vos uns aos outros: Basta de Homofobia! – 10 anos da lei 10.948/01 e Rumo ao PLC 122/06”. Muito ainda há que se fazer. A lei 10.948/01 é uma lei paulista que pune a discriminação e o PLC 122/06 é o polêmico projeto que criminaliza a homofobia no Brasil. Recentemente a senadora Marta Suplicy (PT-SP), atual relatora do projeto participou de debates para alterações no texto que tramita no Senado Federal. A lei não se aplicará a templos religiosos, pregações ou quaisquer outros itens ligados a fé, desde que não incitem a violência.

Em Carta Aberta, a APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo) aponta que mais de 260 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram assassinados no Brasil em crimes de ódio no ano passado. E diz: “Incluir e amparar indiscriminadamente todas as pessoas não seria o princípio básico da religião? Respeitosamente, nos apropriamos da frase “Amai-vos uns aos outros” para pedir fim à guerra travada entre religião e direitos humanos.”

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Para quem não teve oportunidade de ver

Matéria sobre Homofobia repercutindo o caso de preconceito contra o jogador Michael do Vôlei Futuro. Traz informações importantes da violência contra homossexuais e comentários de especialistas. A reportagem, feita pelo jornalista Flávio Zani e veiculada na TVi (Sbt), na região de Araçatuba-SP, também fala do blog "G, L e o quê?!".